Cartão de história de usuário, lista de critérios com itens marcados e balões de fala entre duas pessoas

Histórias de usuário e critérios de aceitação: itens que o time entende

Neste capítulo, você vai aprender a descrever itens do Product Backlog com histórias de usuário e critérios de aceitação, e a quebrar itens grandes em partes que cabem em uma Sprint. É a habilidade de escrita que separa um backlog que o time entende de um que o time precisa adivinhar.

História de usuário é uma forma curta de descrever um item do backlog a partir da perspectiva de quem o usa: quem é, o que quer e por quê. Critérios de aceitação são as condições observáveis que definem quando a história está completa. Juntos, dão ao time o suficiente para conversar e o necessário para verificar, sem virar especificação.

O modelo e o que ele esconde

O formato mais usado é “Como [persona], quero [ação] para [benefício]”. O valor não está no formato, está no benefício: é ele que permite ao time propor uma solução melhor do que a pedida. Uma história sem o “para” é só um pedido de funcionalidade. Uma história com o “para” claro pode ser atendida de várias formas, e a melhor delas às vezes nem é a que o Product Owner imaginou.

Histórias são lembretes de uma conversa, não substitutos dela. O que Ron Jeffries chamou de três Cs resume isso: cartão, conversa e confirmação. O cartão é pequeno de propósito.

Critérios de aceitação

  • Observáveis
    Descrevem um comportamento que alguém consegue verificar, não uma intenção.
  • Poucos
    Três a seis por história. Mais do que isso, a história é grande demais.
  • No vocabulário do negócio
    “O cliente recebe o comprovante por e-mail”, não “o serviço retorna 200”.
  • Escritos juntos
    Product Owner propõe, Developers e QA questionam e completam no refinamento.
Pizza em fatias completas com check ao lado de pizza separada em camadas com X: quebrar itens mantendo valor
Cartão, conversa e confirmação: a história é um convite para conversar.

Quebrar sem perder valor

Imagine uma pizza. Cortar em fatias mantém cada pedaço com massa, molho e cobertura; cortar em camadas entrega só a massa primeiro. Decompor um item do backlog segue a mesma lógica: cada parte deve entregar algo que o usuário perceba, não apenas “o banco de dados” ou “a tela”. Algumas formas de cortar:

  • Por passo da jornada: primeiro buscar, depois comparar, depois comprar.
  • Por regra de negócio: primeiro o caso simples, depois as exceções.
  • Por persona: primeiro o cliente novo, depois o recorrente.
  • Por dado: primeiro um tipo de pagamento, depois os outros.
  • Por qualidade: primeiro funciona, depois fica rápido e bonito.

Definição de Pronto e de Preparado

Critérios de aceitação são específicos de cada item. A Definição de Pronto vale para todos: testes, revisão, documentação, deploy. Muitos times usam também uma Definição de Preparado, a lista do que um item precisa ter para entrar na Sprint. Nenhuma das duas substitui a conversa; as duas evitam que ela seja esquecida. No curso CSPO, cada equipe escreve histórias e critérios para o produto que definiu, e descobre como um “para” bem escrito muda a solução.

O próximo capítulo sai da escrita e entra na relação: como o Product Owner lida com stakeholders e como o papel se compara ao de gerente de produto.

Referências

Obras relacionadas aos conceitos apresentados neste capítulo:

  • Cohn, M. User Stories Applied. Addison-Wesley, 2004.
  • Jeffries, R. Essential XP: Card, Conversation, Confirmation. 2001.
  • Lawrence, R. Patterns for Splitting User Stories. Agile for All, 2009.

Escrever histórias e critérios de aceitação é exercício prático da última sessão do curso Certified Scrum Product Owner®.