Três cartões de persona com retratos simples e ícones de alvo, celular e tempestade; o do meio em destaque

Personas e contexto: para quem e em que condições o produto existe

Neste capítulo, você vai aprender a descrever personas e o contexto do produto: quem usa, em que situação e com quais restrições. São as duas ferramentas que transformam “o usuário” genérico em alguém concreto para quem o time consegue projetar.

Persona é a descrição de um usuário representativo, construída a partir de pesquisa, com nome, objetivo, comportamento e frustrações. Contexto do produto é o conjunto de condições em que ele será usado e construído: ambiente, dispositivos, regulação, integrações e limites de prazo e orçamento. Juntos, dão ao Product Owner o critério para avaliar se um item do backlog faz sentido.

Persona: um rosto para a pesquisa

Uma persona não é inventada em uma reunião. Ela condensa o que o discovery revelou sobre um grupo de usuários com objetivos parecidos. Por isso tem nome, uma frase que resume o que ela quer, as tarefas que precisa cumprir, o que a frustra hoje e como mede sucesso. Quando o time discute uma funcionalidade e alguém pergunta “a Marina usaria isso?”, a persona está cumprindo seu papel.

Produtos costumam ter uma persona primária e uma ou duas secundárias. Mais do que isso dilui o foco. Se todas são igualmente importantes, nenhuma orienta a decisão.

O que uma persona útil contém

  • Objetivo
    O que ela quer alcançar com o produto, em uma frase.
  • Comportamento
    Como resolve o problema hoje, com que frequência e em que dispositivo.
  • Frustrações
    O que atrapalha, irrita ou faz desistir na solução atual.
  • Critério de sucesso
    Como ela percebe que valeu a pena.
O mesmo carro em uma rua de cidade e em uma estrada de terra: o contexto muda o projeto
Uma persona primária em destaque; as demais apoiam, não competem.

Contexto: as condições do jogo

Imagine projetar um carro sem saber se ele vai rodar em cidade ou em estrada de terra. O contexto do produto evita esse erro. Ele registra onde o produto vive e o que o limita: o usuário está no balcão de uma loja ou no sofá de casa, com internet estável ou instável, sob qual regulação, integrado a quais sistemas, com qual prazo e orçamento.

  • Ambiente de uso: local, dispositivo, conectividade, tempo disponível.
  • Restrições: legais, técnicas, de marca, de orçamento e de prazo.
  • Integrações: sistemas com os quais o produto precisa conversar.
  • Concorrência e alternativas: o que o usuário usa hoje, inclusive planilhas e papel.

Como o Product Owner usa os dois

Persona e contexto não ficam em um documento; entram na conversa. Na Sprint Planning, o Product Owner explica para quem o item é e em que condição será usado. No refinamento, os Developers perguntam “e se a persona estiver sem internet?”, e a resposta muda o critério de aceitação. No curso CSPO, cada equipe descreve personas e contexto antes de priorizar, porque priorizar sem saber para quem é jogar moeda.

O próximo capítulo entra justamente nessa decisão: com visão, discovery, personas e contexto em mãos, como escolher o que vem primeiro.

Referências

Obras relacionadas aos conceitos apresentados neste capítulo:

  • Cooper, A. The Inmates Are Running the Asylum. Sams, 2004.
  • Pichler, R. Strategize. Pichler Consulting, 2016.
  • Patton, J. User Story Mapping. O’Reilly, 2014.

Personas e contexto do produto fazem parte da sessão de Planejamento Ágil do curso Certified Scrum Product Owner®.